Bianca Veratti fala de paixão pelo vinho e do desafio de tornar-se Master of Wine

Em entrevista exclusiva ao Blog da RBG, a diretora de comunicação da Zahil e especialista em vinhos, Bianca Veratti, fala de sua paixão pelo vinho, do desafio de tornar-se quem sabe um dia Master of Wine e ensina como se aproximar de uma taça com elegância de profissional.

RBG: Como você foi parar no mundo dos vinhos? 

Bianca: O vinho sempre foi minha bebida preferida e quando trabalhei na hotelaria de luxo de São Paulo tive oportunidade de conhecer um pouco mais a respeito. Porém, o despertar veio mesmo quando comecei a organizar eventos enogastronômicos para uma instituição financeira onde trabalhei. Estes jantares e degustações eram conduzidos pelo Jorge Lucki (maior especialista em vinhos do Brasil) e Guilherme Corrêa (que, na época, tinha ganhado o concurso de Melhor Sommelier do Brasil). Ambos me passavam sua paixão e conhecimento e, com isso, decidi investir em cursos. Fiz os três primeiros níveis do WSET e o Curso Profissional de Sommelier da Associazione Italiana Sommelier. Apesar disso, não me considero uma sommelier, pois não exerço as funções desta profissão tão cheia de detalhes.

Depois destes cursos, fui atrás de oportunidades no mercado e a que deu certo foi na Zahil, onde entrei trabalhando como vendedora na loja de São Paulo. Depois de nove meses, fui convidada a assumir a área de comunicação, onde estou até hoje. Além disso, ministro cursos e degustações da Zahil e dou aulas do WSET 2 e WSET 3 para a escola Eno Cultura.

RBG: Como você vive sua paixão pelo vinho no dia a dia?

Bianca: O vinho está acima de todas as paixões, rs! Apesar de trabalhar com isso, sem dúvida sinto muito prazer em tomar vinho nas horas de relaxamento. Sou curiosa e quero saber sempre mais, provar coisas novas e conhecer regiões vitivinícolas. Invisto o que posso em cada um deles com livros, vendo documentários, lendo matérias e viajando. Outra paixão é a música. Aprendi a tocar piano e frequentei aulas de dança, mas agora o vinho ocupa o meu tempo e a música fica como trilha sonora.

RBG: Explique um pouco como é esse processo de tornar-se Master of Wine? 

Bianca: Concluí no ano passado (janeiro/2016) o Diploma in Wine & Spirits do WSET, que é considerado o pré-requisito para iniciar os estudos de Master of Wine, mas ainda não me sinto pronta para entrar no programa do IMW. O MW é um passo muito grande e exige a consciência de que os próximos cinco a dez anos serão totalmente – e aqui quero dizer literalmente isso – dedicados ao programa. Hoje eu desejo continuar crescendo na minha carreira e conhecendo novos lugares, novos produtores, adquirindo conhecimento. Quem sabe daqui uns anos eu me aventuro, não posso garantir.

Para obter a certificação do Diploma foram dois anos inteiros dedicando horas diárias, finais de semana e feriados exclusivamente para estudar e praticar degustação para as provas. Poucas pessoas entendem a necessidade de tanta dedicação, mas é um estudo muito detalhado sobre os processos de produção do vinho que incluem a geografia, a viticultura, a enologia até o consumo do vinho e o mercado consumidor. As provas de degustação são todas ‘às cegas’, então é necessário prática para conseguir diferenciar os estilos, origens e uvas. Se não tiver dedicação e foco, dificilmente o candidato é bem sucedido. Há também a adaptação do nosso modo de pensar ao estilo inglês (já que a WSET é um instituto britânico), então tudo o que escrevemos deve passar por este filtro.

RBG: Ser do Brasil e ser mulher: ajuda ou dificulta?

Ser do Brasil impõe duas dificuldades: estar fisicamente longe da Europa exige longos deslocamentos para acompanhar as aulas e fazer as provas. Isso também nos deixa menos cientes das tendências do mercado inglês e europeu, que são as bases dos estudos do WSET, mas com esforço e dedicação é possível acompanhar. A segunda dificuldade foi encontrar no Brasil os vinhos nas safras exigidas pelo curso e o alto custo dos mesmos. Quando eu fiz, estava quase sozinha nesta empreitada, então tive sorte de contar com a ajuda do meu colega de trabalho, Bernardo Silveira, que já tinha o Diploma.

O fato de ser mulher não foi uma dificuldade nas aulas, pois no exterior são muitas as mulheres que atuam no mercado de vinho e possuem altas certificações. Aqui no Brasil, não senti tanta dificuldade com os estudos, mas sim com a questão ‘social’ do vinho. Os grupos de degustação, confrarias ou eventos fechados com grandes vinhos ficam muito centrados no mundo masculino. Os grupos femininos que eu encontrei estavam mais focados na diversão que no conhecimento do vinho, então isso é uma dificuldade para estudiosas como eu. O impacto mais forte para mim veio no segundo ano de estudo, quando percebi que poderia me tornar a primeira mulher no Brasil a ter esta certificação e foi o que aconteceu! Hoje sou abordada por várias mulheres que trabalham com vinho que dizem que eu as estimulei a estudar. Isso me deixa feliz, pois ajudei outras colegas a seguirem seu sonho, mas é também uma grande responsabilidade.

RBG: As mulheres degustam vinhos de modo diferente dos homens? 

Bianca: Eu não acredito que haja uma diferença entre homens e mulheres. Acredito, sim, que haja diferença entre paladares iniciantes e paladares mais treinados. O que acontece na nossa sociedade é que existem muito mais oportunidades para homens experimentarem grandes vinhos que mulheres, seja pelas confrarias seja pela questão financeira, mas uma mulher com paladar treinado degusta de forma tão precisa (ou às vezes mais) que os homens, pois somos muito detalhistas, sensíveis.

RBG: Qual é a primeira coisa em que você presta atenção quando prova um vinho? 

Como profissional, tenho mentalmente um roteiro de itens a serem analisados no vinho. Aprendemos isso no WSET e fica para o resto da vida. A parte visual é a primeira, mas não é a mais importante. Os aromas são aquilo que, de fato, começam a chamar minha atenção, inicialmente para perceber se há algum defeito no vinho e depois para perceber os cheiros, tentar descobrir a forma que o vinho foi feito (uso de madeira, malolática, etc) e antecipar o que virá na boca. É um grande desafio esta parte do aroma, pois nosso nariz é um sentido muito defasado e precisamos treiná-lo cheirando tudo o que está à nossa volta. No entanto, é o paladar a parte que mais me encanta, pois aí consigo ter a sensação total do vinho, não só dos aromas e sabores como também as suas texturas (acidez, taninos, corpo, etc).

 

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