Decantar ou não decantar?

A palavra “decantar” vem do latim, mais precisamente, do vocabulário dos alquimistas da Idade Média. Literalmente quer dizer “separar por gravidade as impurezas contidas em um líquido”. Na prática, significa despejar gradualmente um líquido de um recipiente em outro SEM perturbar os sedimentos, de forma a obter um líquido completamente livre de impurezas ou resíduos.

Aula de química à parte, no mundo do vinho, originalmente, usava-se decantar vinhos muito velhos, para livrá-los dos sedimentos que surgiam na garrafa devido ao tempo de guarda.

Hoje, a coisa toda virou um ritual, adquiriu um certo glamour, decanta-se qualquer vinho. Já vi quem decante o vinho porque não gosta do rótulo! E dizem que em certos lugares onde existem políticos corruptos, é prática comum nos restaurantes decantarem todos os vinhos de quatro dígitos, apenas belos decanters nas mesas, nada de garrafas, vai saber, fotógrafos estão por toda parte....de fato, as cores do vinho nos decanters de vidro ou cristal transparente encantam...e disfarçam!

Mas, agora voltando a falar a sério,  decantar qualquer vinho, além de desnecessário, tem riscos!

Vinhos muito velhos, a rigor, devem ser decantados, certo? Nem sempre. Os vinhos do porto e alguns vinhos não filtrados, sim, mas não basta despejar esses vinhos mesmo com o maior cuidado no seu decanter. Rituais são rituais: em primeiro lugar, lembre-se de deixar a garrafa de pé por várias horas. Na hora H, você deve virar a garrafa na direção de uma fonte de luz (uma vela, claro, que ajuda a criar um clima!),  para conseguir enxergar os resíduos e evitar que eles passem pelo gargalo. Em seguida, o truque é virar a garrafa de uma vez para que os sedimentos não se misturem de novo com o vinho. Você tem razão, não parece fácil, e não é...

Pior, talvez você perca o vinho. Vinhos muito velhos, quando em contato com o ar, rapidamente “envelhecem” e podem oxidar em poucos minutos. Vale a pena decantar? Provavelmente, não.

Em compensação, existe uma outra boa razão para usar o decanter: digamos que você tenha um bom vinho na adega e resolve abri-lo. Não um vinho feito para consumo imediato, mas um vinho de guarda, criado para envelhecer na adega. Eventualmente, pode ocorrer que o vinho não esteja totalmente “pronto”, seus aromas e sabores ainda não estão completamente desenvolvidos, dizemos que o vinho está “fechado”. Neste caso, decantar e deixar que o vinho “respire” durante uma meia-hora pode ajudar. Por que? O contato com o ar faz com que algumas substâncias evaporem e acaba ressaltando a fruta e a madeira naturais do vinho. Continuamos na aula de química, percebeu? Mas dá para testar a aula na prática: o aroma do vinho muda dramaticamente depois de 10 a 30 minutos que a garrafa é aberta. Além disso, o contato com o ar amacia os taninos que causam aquela adstringência típica dos vinhos jovens. Ou seja, funciona bem com belos tintos ainda com taninos muito agressivos. Deixar o vinho “respirar” acelera o seu envelhecimento, digamos assim. Mas, observe que não adianta dizer “vamos deixar o vinho respirar” e apenas tirar a rolha da garrafa. A mágica da química funciona apenas se você decantar o vinho.  

Vinho é pura alquimia, reparou?

Veja, em nossa adega, alguns vinhos de guarda, como o Sangervasio A Sirio, o Podere La Vigna e a nossa seleção de Barolos

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