Inverno em casa: com que vinho harmonizar?

Em pleno isolamento social, estamos reaprendendo a ficar em casa. Mas o inverno está chegando e um friozinho combina com sofá e cobertor. E o vinho?

Vinhos são bons companheiros de lareiras e mantas e, por que não, de comidinhas e romances ou de música, livros e reflexões filosóficas, ou tudo isso junto e ainda maratoneando aquela série favorita da Netflix!

Mas como escolher um vinho com jeitão de inverno? Fomos conversar com Ricardo Bohn Gonçalves sobre como escolher um vinho que harmonize com os dias frios. Veja as dicas:

O que faz um vinho ser chamado “vinho de inverno”?
Lembra que já falamos sobre a densidade do vinho? Quanto mais encorpado, mais você percebe o vinho como sendo forte, denso ou “pesado”. Entre os fatores que tornam um vinho mais ou menos encorpado, os taninos e a graduação alcoólica são os principais. A rigor, quanto mais taninos, mais encorpado um vinho é, quanto mais álcool, mais você vai senti-lo como denso, "pesado". No verão a gente busca vinhos mais “leves”, no inverno, no entanto, vinhos mais encorpados, tânicos e com teor de álcool um pouco mais elevado, “aquecem” a boca e essa é uma sensação boa. Pessoalmente, prefiro vinhos com até 12% de álcool, mas, apesar de hoje serem mais raros, vinhos de 13,5 a 14,5 combinam bem com os dias frios.

Mas inverno também pede vinhos macios feito cobertor. De onde vem a maciez e o aveludado de um vinho?
Do equilíbrio entre taninos, acidez e álcool. Uma limonada pode ser feita com qualquer tipo de limão, de água e com qualquer qualidade açúcar. E não importa a quantidade nem a proporção de cada um dos ingredientes, no final, se você combiná-los, vai ter uma ...limonada! Mas imagine a limonada que você beberia se colocasse água demais, limão demais ou açúcar demais. Imaginou? Com o vinho acontece a mesma coisa, dependendo da qualidade das uvas, e da arte de equilibrar esses três ingredientes fundamentais, taninos, acidez e álcool, você vai ter uma bebida mais ou menos macia e aveludada. Aqui no caso, pode-se dizer que a chave desse equilíbrio são os taninos, se forem bem resolvidos e bem tratados, o vinho vai ficar macio e aveludado.  

E as comidas de inverno, mais calóricas e substanciais, como harmonizar?
Pensando em vinhos mais encorpados, prefira, Barolos, Bordeaux, Riojas modernos, bons Malbecs argentinos e bons Cabernets Sauvignons chilenos. Agora se quiser experimentar um top dos encopados escolha um Amarone italiano, uma verdadeira aventura com graduação alcoólica variando de 16 a 18%.

Todos os tintos combinam com os dias frios?
Depende do humor, da companhia e por último da comida. E todos não pois a palavra “todos” inclui vinhos ruins... Brincadeira, algumas uvas naturalmente produzem vinhos menos encorpados. Penso na uva Pinot Noir, por exemplo, e na Gamay, tão típica da AOC Beaujolais, na França. Outras, como a Tannat, a Syrah, Cabernet Sauvignon, Malbec, a Touriga Nacional de Portugal, até a Carménère, a Tempranillo, a Grenache, são escolhas tradicionais para criar esses vinhos para apreciar com um livro na mão ou ouvindo uma boa música.

Existem brancos “de inverno”?
Sim, bons Chardonnays amadeirados, com camadas e camadas de baunilha e especiarias, como os californianos, alguns espanhóis, sul-africanos e australianos. E, em um momento especial, talvez os raros de encontrar, mas excelentes, ricos e intensos, Châteauneuf-du-Pape, feitos no sul da França.

A que temperatura devemos servir um vinho para que ele aqueça a alma e o paladar?
As vezes um Champagne gelado aquece muito bem a alma! Mas a temperatura de consumo não muda muito por ser inverno. O básico: brancos devem ser servidos a 8 ou 10 graus, tintos a 16 ou 18 graus. Lembre-se de que quanto mais quente o vinho, mais você percebe a sensação do álcool, então, se quiser, aumente essas referências de temperatura, mas só um ou dois graus, não mais do que isso.

Ping pong de harmonização ou o que beber com

  • Cassoulet: um Malbec;
  • Sopa de cebola: um Shiraz;
  • Minestrone: um Nebbiolo;
  • Ossobuco e rabada: Cabernet Sauvignon e Nebbiolo;
  • Ragú à bolonhesa: Nebbiolo;
  • Queijos fortes: prefira vinhos da região de onde vem os queijos ou escolha um branco, sim, um branco;
  • Fondue: um Riesling alsaciano.

 

Se quiser saber como harmonizar seu verão com vinho, leia Como escolher um vinho de verão?
Descubra como é montada a carta de vinhos de um restaurante nesta entrevista com Lamberto Percussi
E nessa entrevista, Bianca Veratti fala de ser mulher e amar vinho

 

Essa entrevista nasceu de um pedido da Isabella Gerevini, head de marketing da Mandala Clothing, uma empresa com foco em curadoria de estilo para mulheres de 35 a 50 anos : RBG, por que você não responde àquelas perguntas que todas queremos fazer sobre como escolher vinhos para o inverno? Aí vai a entrevista para as usuárias da Mandala Clothing

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