Os mais famosos cortes de vinho, além do corte bordalês

Já tivemos a oportunidade de falar aqui sobre os vinhos de corte ou blends. Comentamos que, ao contrário dos varietais, os blends são combinações de vários tipos de uva, em geral, complementares, escolhidas para compor vinhos mais ricos e complexos. Uma alquimia entre conhecimento, experiência e...arte!

Dá para imaginar que talvez, no início, todas essas combinações tenham começado como experiências de enólogos visionários ou de produtores curiosos. Algumas dessas “misturas” de uvas, no entanto, foram tão bem-sucedidas que viraram padrão para muitos dos melhores vinhos do mundo!

O corte bordalês, favorito de Bordeaux

Os franceses, por exemplo, são craques de blends, a começar pelo seu corte bordalês, talvez o mais famoso do mundo do vinho! O blend, que caracteriza os vinhos de Bordeaux, é uma combinação das uvas Cabernet Sauvignon e Merlot, com Cabernet Franc, em proporção menor, e com Malbec e Petit Verdot, em quantidades ainda menores. Isso no caso dos tintos. No caso, dos brancos, a combinação tradicional inclui Sémillon e Sauvignon Blanc, e um pingo de Muscadelle.

Os produtores, claro, têm margens de manobra e espaço bastante para o talento e a arte. Brincam com as proporções, mas nem pensar em acrescentar uvas diferentes! Apesar de ser uma marca registrada, nem todos os vinhos de Bordeaux são blends, evidentemente. O lendário Château Petrus é produzido com 100% de Merlot e ponto final!

Cada uva é importante na hora do blend

Combinar uvas é mais do que uma atração irresistível para quem produz vinho, é um desafio, coisa de alquimista mesmo: cada uva empresta ao vinho suas peculiaridades, uma complementa a outra, daí a riqueza destas combinações e, por isso, longe de ser o único,  corte bordalês é apenas um entre tantos blends famosos.


GSM, Grenache, Syrah e Mourvèdre

O corte de Grenache, Syrah e Mourvèdre, conhecido pela sigla GSM, é a marca dos vinhos da região mais ao sul da França, no vale do rio Rhône. Belos Côtes du Rhône e Châteauneufs-du-Pape são produzidos a partir do GSM. Das três uvas, Grenache é a utilizada em maior proporção. Em linhas gerais, ela garantiria a redondeza e o caráter frutado do vinho, enquanto a Syrah daria estrutura, e a Mouvèdre, os sabores de terra e as belas cores dos vinhos da região. Mas isso é apenas uma aproximação muitíssimo genérica. Porque, ao contrário da AOC Bordeaux, as regras que definem o GSM permitem uma dezena de outras variedades de uva, ainda que em quase ínfimas proporções. Existem Châteauneufs-du-Pape construídos com até 10 tipos de uvas diferentes!


As várias uvas dos champagnes

E o champanhe? Também é um blend! A rigor, só pode ser considerado champanhe o vinho produzido na região francesa com o mesmo nome e com uvas cultivadas no próprio local. Ou seja, todo o resto, são só bubbles espumantes. As uvas tops que fazem parte da maioria dos champanhes são Chardonnay, branca, Pinot Noir, tinta, e Pinot Meunier. Outras uvas regionais são permitidas e valorizadas, embora sejam menos utilizadas: Pinot Blanc, Pinot Gris, Arbane e Petit Meslier.

 

Supertoscanos: esses rebeldes

Para terminar o post que já anda longo, vamos falar dos Supertoscanos? Um corte, digamos, subversivo. O blend surgiu nos anos 70, fruto da rebeldia de alguns produtores de Chianti, que reclamavam do excesso de restrições. Sua ideia era poder produzir vinhos de qualidade fora das regras da DOC Chianti. Sobretudo, não queriam, por conta disso, ter que colocar nos rótulos a expressão vino da tavola, porque isso não refletia em nada o altíssimo padrão de qualidade dos vinhos que produziam. Dessa insubordinação nasceram os supertoscanos. Vinhos modernos, ricos, complexos.

O blend inclui, na maioria dos casos, a uva Sangiovese, típica da região, mas uma das reivindicações dos produtores rebeldes era incluir variedades não-nativas, típicas dos Bordeaux, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. E hoje essa combinação “à francesa” produz alguns belíssimos supertoscanos!

Curiosamente, existem supertoscanos varietais, produzidos exclusivamente com Sangiovese, o que também era uma transgressão, já que a possibilidade não constava das regras antigas que regulavam (e regulam até hoje) as 33 denominações da Toscana!

Sassicaia ou Tignanello?

Existe uma certa polêmica sobre qual teria sido o primeiro supertoscano. Alguns juram que foi o Sassicaia, um corte de uvas Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, cultivadas durante anos nas terras da Tenuta San Guido. Tão impossível parecia comercializar vinhos produzidos com estas uvas “estrangeiras” que a família reservava as garrafas apenas para seu uso. O vinho, com jeitão de Bordeaux, no entanto, era excepcional e acabou conquistando o mundo, além de ganhar uma DOC só para ele, a DOC Bolgheri Sassicaia  

Outro candidato a ancestral dos supertoscanos é o Tignanello, da Família Antinori, um blend de 85% de Sangiovese, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc.

Existem muitos outros cortes, famosos ou nem tanto. Essa alquimia tão típica dos vinhos é um tema quase que inesgotável.

Dizem que é mais fácil para um iniciante degustar um vinho varietal, feito apenas de uma única variedade de uva. Tenho dúvidas, mas concordo que blends são desafios! E valem cada gole!  

 

 

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