Os belos vinhos da Sardenha, a ilha da longevidade

A Sardenha é a segunda maior ilha do Mediterrâneo, depois da Sicília. É parte da Itália. Os guias de viagem costumam descrever a ilha falando dos seus 2000km de praias deslumbrantes, do mar cor de turquesa, do sol, das aldeias centenárias combinadas com bares e restaurantes que todo verão atraem a alta sociedade europeia para a Costa Esmeralda. Um paraíso! De fato, mas para os amantes do vinho, o que é mais interessante na Sardenha é justamente seu lado ilha, que não se identifica com a Itália. Historicamente, sofreu muita influência da Espanha, da França e da África...uma ilha com espírito mediterrâneo, muito mais do que um pedaço da terra italiana.

E é esse espírito de ilha que torna a Sardenha tão peculiar. Apesar de ser considerada uma das mais antigas regiões vinícolas da Itália, lá a produção tradicionalmente é praticada em escala muito pequena, orgulhosamente reservada para a família, para os amigos da aldeia, no máximo. Por toda ilha, você vê minúsculas propriedades cercadas por fileiras de vinhas e de oliveiras. A ilha tem pouco mais de 1,6 milhões de habitantes (e 6 milhões de cabras!). E possui, junto com outra ilha, Okinawa, no Japão, a maior concentração de centenários do mundo! Foi a primeira região mapeada das Blues Zones (regiões do mundo onde existe uma superconcentração de pessoas longevas e usufruindo de boa saúde e qualidade de vida).

As razões da longevidade? O estilo de vida, a comida, e o vinho!

O portfólio de variedades de uvas da Sardenha não se parece em nada com o do restante da Itália. Mas a ilha é uma espécie de terroir dos sonhos para a Grenache espanhola. Grenache é uma das uvas mais populares do planeta. Na Sardenha, no entanto, a uva é chamada Cannonau. E se o nome é diferente, neste caso, é também porque a variedade ali se desenvolve de forma única. Acredita-se que a Cannonau seja descendente de uma cepa espanhola de Grenache tão antiga que ao longo dos séculos foi se adaptando à paisagem rugosa, à altitude e ao clima ensolarado da ilha. É mais escura e mais rica em polifenóis, antioxidantes benéficos que estariam por trás da bem-disposta longevidade dos habitantes da ilha. Os vinhos produzidos a partir da Cannonau são em geral de teor alcoólico alto, baixa acidez e isso resulta em sabores redondos. Aromas de frutas vermelhas, ameixas e tabaco também são característicos. São vinhos que envelhecem bem.

Os sardenhos tomam de três a quatro copos de vinho por dia, o último no final do dia, nos bares das aldeias. Cannonau ocupa 30% dos vinhedos da ilha. Até recentemente, a produção era quase que totalmente familiar, em cooperativas. Mas isso vem mudando, pequenos produtores estão implantando vinícolas bem-equipadas, com foco em produzir vinhos de qualidade a partir da diversidade de uvas da ilha.

Porque além da Granache/Cannonau, a Cariñena/Carignan e a Bobal, também de origem espanhola, e a Cabernet Sauvignon francesa são outras promessas dos vinhos da Sardenha.

As variedades mais italianas são a Malvasia, rosé, a Moscato Branca e a Vermentino, branca.

Fora essas, “estrangeiras”, os produtores da ilha plantam uma enorme variedade de uvas locais, algumas praticamente desconhecidas e que estão alimentando a imaginação dos apreciadores de vinho do mundo. Preste atenção a estes nomes: Torbato, Nasco, Niederra, Nuragus, Monica, Semidano.

A uva Carignano é produzida ao sul da ilha, na região de Sulcis. Também originária de uma cepa antiquíssima, é uma uva intensa, elegante, de aromas de especiarias. Os taninos das Carignanos sardenhas são macios e os habitantes da ilha escolhem esses vinhos para acompanhar os queijos de cabra maduros que são tão típicos do menu gastronômico da Sardenha.

Os brancos da ilha são igualmente famosos, começando pelos refrescantes Vermentinos di Sardegna. Li recentemente um artigo que falava de espumantes e de experimentos curiosos nesta linha feitos na Sardenha. Os vinhos seriam envelhecidos no fundo do mar. Uma sugestão de que talvez o destino da ilha seja produzir vinhos mais “experimentais”.

O fato é que a ilha vem atraindo gigantes da indústria do vinho, interessados em explorar as peculiaridades deste universo tão particular. A Agricola Punica, que produz dois belos vinhos da Sardenha, Montessu e Barrua, é uma reunião de gente de peso: a vinícola sardenha Cantina di Santadi e a Tenuta San Guido, que produz, na Toscana, um dos vinhos mais importantes da Itália, o Sassicaia. Na batuta do projeto, o enólogo Giacomo Tachis, que faleceu no ano passado. O presidente da Agricola Punica, Sebastiano Rosa, explicou em um almoço que o foco do projeto era a uva Carignana que na Espanha é usada em proporções pequenas nos blends, mas que aqui tinha sido alçada à personagem principal: “Na Sardenha, nós encontramos o melhor terroir para esta uva. Os verões são ensolarados, a luz intensa e pura. Isso ajuda a equilibrar a acidez natural da Carignana e permite que os sabores maduros de frutas vermelhas amaciem os taninos potentes da uva. Esses vinhos são blends únicos que surpreendem as pessoas!”

Na nossa adega você encontra vinhos da Sardenha como o Montessu, produzido com 60% de Carignana, e muitos outros vinhos italianos. Venha conhecer!

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