Os ensolarados vinhos
da Grécia!

Assyrtiko, Agiorgitiko, Xynomavro. Os nomes podem ser complicados, mas fique de olho: vem aí os vinhos feitos com as uvas nativas da Grécia. São inúmeras e produzem todo tipo de vinhos, dos mais secos aos vinhos santos adocicados, passando pelos retsinas, que, acredite, ganham uma adição de pinho durante a fermentação, o que lhes dá o aroma resinado característico. Pense em Grécia e você imagina vinhos brancos? Pode ser, e o país produz sim bons brancos, mas preste atenção nos tintos feitos com uvas nativas que andam chegando de lá. Embora a gente aqui neste post tenha colocado foco em apenas três, a Grécia tem mais de 300 variedades de uvas nativas. Assyrtiko, que nas encostas vulcânicas de Santorini, produz brancos que muitos dizem que são melhores do que os Chablis é a primeira e também a mais conhecida fora da Grécia. Agiorgitiko, antiquíssima conhecida dos gregos, provavelmente nativa das ilhas do Mar Egeu, mas que hoje caracteriza os vinhos da apelação Nemeia, a região que fica na parte nordeste do Peloponeso, aromáticos, encorpados, inspiradores (sobretudo se os frutos vierem dos vinhedos de altitude da região, a mais de 900m do nível do mar). Xynomavro é uva favorita entre as tintas. Produz tradicionalmente os bons vinhos da apelação Naoussa (100% Xynomavro), ao norte da Grécia. Alguns comparam com os Barolos, potentes e encorpados. Bons para envelhecer. 

Costumo dizer que os vinhos são como obras de arte contemporânea: o melhor jeito de apreciar é baixar a guarda e experimentar. Sem medo!

Ainda está com ar de dúvida, não é? Vinhos da Grécia? Nossos amigos Roberta Amaral e Jorge Amary, dos @palpitesgourmets no Instagram, foram para a Grécia e contam aqui como se bebe vinhos à moda grega.


Os vinhos gregos, embora pouco conhecidos por aqui, reservam boas experiências, gratas surpresas e vale explorá-los um pouco mais.

A Grécia, principalmente a região das ilhas, onde se concentra a maior produção vinífera, tem a mesma latitude da Sicília, muito próxima também à latitude da Sardenha, duas excelentes produtoras de vinho. O solo das ilhas gregas, no entanto, é bem mais rochoso do que o de suas irmãs italianas o que lhe rouba um pouco da estrutura e da mineralidade, que, apesar de um pouco menos acentuada está presente em termos comparativos. Ainda assim, os gregos conseguem produzir bons rótulos com bastante frescor mediterrâneo.

O forte dos gregos, sem dúvida nenhuma, são os brancos. Não que não existam bons tintos, mas são mais raros e você precisa procurar mais.

Como em todo país vinífero, você encontra na Grécia as uvas Chardonnay e Sauvignon Blanc, mas existe uma variedade de uvas locais que se adaptaram bem melhor ao solo tanto quanto à menor amplitude térmica do clima.

Os vinhos brancos gregos são leves de cor bem clara variando um pouco até o palha. São geralmente secos. Às vezes apresentam pequenas notas de frutas. Mais cítricos e com acidez ligeiramente elevada, o que não compromete.  Aqueles que envelhecem um pouco na madeira, acabam equilibrando melhor.

São vinhos recomendados para o clima quente, ou seja, caem bem aqui no Brasil. Acompanham tradicionalmente os frutos do mar, peixes com temperos leves e petiscos típicos, como o queijo feta (que equilibra a acidez) e as belas azeitonas gregas. Por serem leves podem ser apreciados também na praia ou à beira da piscina antes das refeições.

As melhores castas e os vinhos mais conceituados estão concentrados na ilha de Santorini, que tem uma denominação de origem própria, o que garante o padrão da produção.

Existem também bons exemplares de vinhos das ilhas Cyclades, outra denominação de origem igualmente com bons exemplares. (Santorini geograficamente faz parte das Cyclades, embora tenha sua denominação própria)

Entre as uvas brancas a Assyrtiko está presente em 5 de cada 10 vinhos tops, tanto varietais quanto em assemblages, além de também fazer um “vinho santo” local muito interessante. Vale experimentar também os vinhos produzidos com as uvas Aidani e Athiri, que existem igualmente na forma mono-varietal quanto combinadas entre si e junto com a Assyrtiko. Na carona dos vinhos brancos o rosé grego, feito com castas locais, também é uma boa alternativa.

Nossas sugestões de brancos:

SANTO WINES

Assyrtiko Grand Reserve: a safra 2011 atingiu 93 pontos na lista da Wine Spectator (WS). Passam 12 meses em carvalho e 12 em garrafa.

Assyrtiko Orgânico

Assyrtiko Santorini: ótimo custo-benefício, a garrafa da safra de 2013, que ganhou 91 pontos no ranking da WS, estava sendo vendida por 20,00 EUR

BOUTARI

Santorini Kallisti Reserve: safra de 2010 recebeu 92 pontos na WS

DOMAINE SIGALAS

Assyrtiko Santorini Kavalleros Single Vineyard: safra de 2012 recebeu 92 pontos na WS

Santorini Barrel: safra de 2013 ganhou 91 na lista da WS

Assyrtiko Santorini: safra de 2013 ganhou 91 na lista da WS

Os grandes produtores: Gaia, Domaine Gerovassiliou, Biblia Chora

E para não deixar de falar dos tintos, existem ótimas surpresas deles na Grécia, mas são menos comum do que os vinhos brancos.  Embora com menos estrutura que outros vinhos mediterrâneos, valem pelo frescor e pelos aromas delicados de frutas vermelhas. Alguns chegam a apresentar notas de especiarias e madeira.

Boa parte dos tintos gregos podem ser tomados a temperaturas mais baixas: de 12ºC no caso dos mais jovens até 18ºC em se tratando dos encorpados.

Harmonizam bem com aperitivos e são ótimas alternativas de tintos para o verão. Destacam-se as uvas locais Mandilaria, a mais famosa e presente tanto nos tintos quanto em blends de rosés ou de espumantes, junto com a Mavrotragano e a Voudomato. A produção de tintos já foge um pouco de Santorini, embora lá também existem alguns produtores. Espalham-se por outras ilhas e no continente.

De modo geral, os vinhos gregos brancos são mais constantes. Os tintos sofrem mais com as variações de safra.

Nossa sugestão de tintos:

Gaia Aglorgitiko Nemea Black Label: safra de 2010 recebeu 91 pontos da WS

Domaine Gerovassiliou Epanomi Avaton: com 91 pontos da WS

Confira também os espumantes. Os brancos são melhores do que os rosés. O vinhos de colheita tardia, como o Santo Wines, o Vinsanto 12 Years, para quem aprecia vinhos doces, proporcionam uma experiência interessante.  

A Grécia produz vinhos fortificados, no estilo dos portos que, mesmo na versão tinta devem ser tomados gelados, uma descoberta curiosa.

Agora, se você quer mesmo apreciar os vinhos gregos, anote: cada uma das inúmeras praias e ilhas gregas tem seu vinho local, geralmente branco, servido em carafs de 0,5L ou 1 litro, e vendidos a preços bem acessíveis. São uma ótima opção para tomar na praia durante o dia, mas não exagere porque alguns têm acidez um pouco elevada.

Fora isso, dois programas enófilos na Grécia não dá para perder: o bar de vinhos gregos Heteroclito, que fica em Atenas, em Placa, bairro tradicional e perto da Acrópolis. É pequeno mas tem mesas fora, perfeitas para apreciar o final de tarde antes do jantar.

Outro passeio que você deve fazer é visitar o Santo Wines em Santorini, cooperativa dos produtores locais, que oferece uma imensa variedade de vinhos com degustações de 6 a 18 rótulos a preços acessíveis. Além das degustações, a vinícola foi construída de frente para o pôr do sol, um dos mais lindos da Grécia. Reserve uma mesa na varanda e na saída aproveite para comprar seus vinhos na excelente loja que existe do local.

 

Saúde,

 

Jorge Amary

 

 

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