Tradicional? Inovador? Dá para falar em estilo quando o assunto são os vinhos?

Dá para falar em vinhos modernos? Vinhos clássicos? Vinhos contemporâneos? A gente tem uma tendência a gostar de classificações (agradeça ao filósofo grego, Aristóteles). No caso do vinho, apesar delas nos ajudarem a criar cenários e a compreender processos, sempre é bom deixar espaço para exceções. 


O mundo do vinho vem se construindo há milênios preservando um delicado equilíbrio entre tradição e inovação. Tecnologia e ciência são companheiras inseparáveis da viticultura.

No entanto, dá para imaginar que se alguém quiser trocar uma lâmpada no Domaine de la Romanée-Conti vai precisar fazer um gigantesco esforço de convencimento.  Brincadeiras, à parte, enquanto os produtores não mexem nas tradições ancestrais e a tecnologia e a inovação entram para resolver problemas pontuais ou melhorar processos específicos, ninguém briga.

Mas no mundo do vinho, tradição e modernidade vivem em um equilíbrio sempre tenso. Na Itália, é famosa a história da Guerra dos Barolos que colocou produtores em lados diferentes sobre uma questão, na verdade, crucial: maceração. Os Barolos tradicionais passam pelo processo de maceração por 15 a 30 dias. Em seguida são postos em grandes barris de carvalho neutros onde envelhecem durante décadas antes de serem colocados no mercado. Foi assim “desde sempre”, até que em 1980, um grupo de produtores (depois de muita pesquisa, não se iludam!) resolveu mudar tudo. O tempo de maceração, propuseram, não devia ser maior do que 10 dias. Depois, os Barolos seriam envelhecidos em pequenos barris, novos e de carvalho francês. Isso aceleraria todo o processo e o vinho poderia ser colocado mais cedo no mercado. Parecia uma boa ideia, mas provocou uma guerra de grandes proporções. Depois de longas e intensas negociações, o conflito foi sendo mais ou menos resolvido e hoje sabe-se que é possível fazer belos Barolos tanto do jeito tradicional quanto do “novo jeito”.  


Os barris provocaram disputas entre modernistas e tradicionalistas também na Espanha. A questão não é nada trivial, você sabe. Os barris interferem em um dos elementos essenciais do vinho, o tanino. Barris neutros, vinhos mais tânicos, mais austeros, por oposição aos vinhos mais frutados e mais macios que ficam macerando nas barricas de carvalho francês. 


Tradicionais ou modernos? Já deu para adivinhar que a história é longa. Mas de modo geral a classificação faz mais sentido nas regiões vinícolas da Europa. Também costuma-se falar em estilo mais Velho Mundo e estilo mais Novo Mundo para distinguir os vinhos produzidos na Europa e os vinhos produzidos com uvas europeias no Novo Mundo. Mas Novo Mundo, a cada dia que passa, pode ser qualquer canto de toda a zona temperada do planeta (e, mesmo, além delas!). Hoje talvez faça mais sentido dizer que os produtores estão divididos entre técnicas de produção com maior ou menor intervenção, mais ou menos tecnologia. 


Divisões, como dissemos, podem ser grosseiras, mas facilitam a conversa. Vinhos modernos seriam mais macios, mais frutados, com maior influência da passagem pelo carvalho, mais alcoólicos também. Em contrapartida, os vinhos mais tradicionais teriam mais estrutura, amadureceriam mais lentamente, ou seja, envelheceriam por mais tempo e expressariam melhor as características do terroir. 


Vinhos bons de beber, fáceis, mais prontos para o mercado, mais globais, poderíamos até dizer, e mais acessíveis versus vinhos mais complexos, produzidos segundo técnicas ancestrais. A discussão acaba aí? Longe disso. 


Hoje um movimento importante de “jovens” produtores vem propondo um novo caminho. Cansados dos exageros na maquiagem eles dizem que tanta tecnologia levou a uma padronização excessiva e até a uma certa homogeneização dos vinhos. Bebemos vinhos muito melhores hoje? Sem dúvida, mas…. E esse mas faz cócegas na imaginação dessa turma inquieta. 


A ciência, a tecnologia, os controles dos processos devem ser acessórios na produção do vinho, mas, nunca, ter o papel principal, avisam. Vamos retomar as técnicas milenares e usar a tecnologia em outras direções. No vinho, um mínimo de intervenção. Queremos vinhos singulares e queremos que cada vinho possa expressar a terra e as condições onde nasce. E essa terra também deve ser cuidada de forma diferente. Sustentável. E na esteira dessas novas visões, vão surgindo os vinhos naturais, biodinâmicos…contemporâneos? As inovações vão achando caminhos nesse extraordinariamente complexo mundo do vinho! 

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